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Escritor e jornalista lança livro Curral da Morte em Santana do Ipanema

Por Redação

O escritor, jornalista e cineasta alagoano Jorge Oliveira esteve nesta sexta-feira (11) em Santana do Ipanema para o lançamento de seu livro Curral da Morte. O evento, que teve a iniciativa do advogado João Soares Neto, aconteceu no Restaurante João do Lixo e contou com a presença de muitos apreciadores da obra literária que trata de temas polêmicos em Alagoas, como o impeachment do governador Muniz Falcão e o “Sindicato do crime”, que envolvia figuras políticas de todo o Estado.

Entre os presentes estiveram, o professor e historiador Marcelo Fausto, membros do Rotary Clube de Santana do Ipanema, autoridades políticas como o deputado estadual Marcos Ferreira, o vice-prefeito Edson Magalhães e o ex-prefeito Paulo Ferreira, além de comerciantes e outros membros da sociedade.

A noite também contou com a distribuição de autógrafos e fotos com o autor, que apesar de não ser conhecido pessoalmente pela maioria dos presentes, já atraia fãs devido ao conteúdo rico de sua obra.

O autor e sua obra

Jorge Oliveira nem pensava em ser jornalista quando, em 1957, na Assembleia Legislativa de Alagoas, mais de 1.200 tiros foram disparados entre oposicionistas e aliados, com armas em punho na votação do impeachment do governador Muniz Falcão, numa sexta-feira 13. Décadas depois, o jornalista Oliveira teve contato com testemunhas do tiroteio, ouviu histórias de indivíduos dos dois lados e dedicou boa parte da vida tentando entender a atuação do "Sindicato do crime" na Região Nordeste, escrevendo reportagens sobre o assunto para grandes jornais do país. Fotografias empoeiradas, dezenas de recortes de jornal e entrevistas reveladoras tornaram-se uma coisa só no livro Curral da morte, lançado 53 anos depois do impeachment de sangue em Alagoas

Vencedor de dois prêmios Esso de Jornalismo, Jorge Oliveira deixou as redações de jornal há mais de 20 anos e fez carreira na produção de documentários e no marketing político. Mas o faro de repórter continuou afiado e foi fundamental para cruzar a grande quantidade de informações colhida durante décadas. "Continuo com olhar clínico de repórter. Quando fez 50 anos do impeachment, comecei a juntar tudo para fazer um livro. Pensei: não vou contar minhas histórias em mesa de bar, vou levá-las para o computador. Tenho responsabilidade, como cidadão e jornalista, de contar essa história", afirma

A violência daquela sexta-feira 13 teve saldo de um morto e dezenas de feridos. Nas duas décadas seguintes, a perversidade de pistoleiros a serviço de políticos gananciosos dizimou famílias inteiras, como a de Humberto Mendes, fatalmente ferido no início da troca de tiros. Na reconstrução dos fatos posteriores ao impeachment, Jorge Oliveira conversou com pessoas que resistiram à onda de revanchismo político e assassinatos. O histórico de intrigas políticas ainda está no imaginário coletivo dos alagoanos, a exemplo do escritor. "O conteúdo do livro é trágico, difícil, muita coisa que ouvi estava na minha memória. Fico feliz de ter colocado no papel. Isso fica te formigando a cabeça. Quando escrevi ‘fim’, fiquei aliviado", comenta o autor.

Curral da morte é apenas o quarto livro de Jorge Oliveira. O primeiro, Eu não matei Delmiro Gouveia, de 1985, é um livro-reportagem que tenta desvendar o misterioso assassinato do pioneiro empreendedor cearense. Há quatro anos, sustentado pelas 14 campanhas políticas que dirigiu, lançou o manual Campanha política: como ganhar uma eleição. Em seu terceiro trabalho, Oliveira conta um episódio de sua própria vida, onde um possível atentado quase tirou sua vida.

Nova obra

A vinda de Jorge Oliveira ao Sertão não foi por acaso, isso porque o jornalista, que atualmente mora na cidade de Brasília, quer concluir seu mais novo trabalho, onde conta outro episódio sangrento ocorrido no antigo povoado Capim, hoje Olivença.

O novo trabalho de Oliveira pretende contar a história do lendário Floro Gomes Novais, conhecido no Nordeste como “Vingador das Alagoas”. Floro, natural de Olivença, seguiu a vida de “justiceiro” em 1951, depois que seu pai, Ulisses Novais, foi barbaramente assassinado em uma emboscada em Santana do Ipanema, onde na ocasião seu cérebro foi esmagado com coronhadas de um rifle.
 

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